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Sete
reflexões sobre a maneira do cristão ser na virada do
milênio.
Gláucio José de Souza
O QUE É
MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE
PARTE 1
"No dia
em que o Mundo e o Cristianismo tornarem-se amigos, o Cristianismo
deixará de existir." Soren Kierkgaard
Introdução
Atualmente uma
pessoa já nasce envolvida em uma cadeia de "informações
globalizadas", sendo assim a quantidade de dados que uma pessoa
recebe diariamente, pelos mais diversos meios, é no mínimo
monstruosa. Esse processo desencadeado é tão maciço que uma pessoa
para poder assimilar tal quantidade de informação em tão pouca
quantidade de tempo , necessita produzir mecanismos de percepção e
filtragem.
A partir daí
desenvolve-se a característica de analisar as coisas mais
rapidamente. A percepção das pessoas esta mais aguçada, mas ao mesmo
tempo mais superficial. Tudo está "mais superficial", nossos
relacionamentos, nossas obrigações, nossos valores e neste ambiente
desaprendemos o significado do convívio, da fidelidade, da
estabilidade. Como bem disse certo escritor Cristão: .."o cidadão...
vai se transformando numa borboleta relacional. Pousa em uma flor
pensando na outra."
A rapidez com
que se muda de opção é tal qual a velocidade com que se pode mudar
de uma estação de TV a outra usando um controle remoto. É isto, a
modernidade nos trouxe a pluralização e a multiplicação das opções.
Jean Pierre Dupuy, um especialista em informação disse: "Quanto mais
nos comunicamos, como fazemos, mais criamos um mundo infernal. Nosso
mundo é aquele sobre o qual pretendemos ter mais informação e, no
entanto, é este mesmo mundo que de modo crescente perde seu
significado".
A história
humana é a história das lutas e conquistas . Luta pelo interesse de
conhecer a natureza para dominá-la, para interpretá-la e assim cada
geração foi recebendo da geração anterior um mundo interpretado.
A atual
geração encontra, pois a seu dispor um mundo já pensado, já
interpretado, "prontinho para o consumo". Temos a história
interpretada; a sociedade organizada; as normas de moral
estabelecidas; as religiões estruturadas; regulamentos diversos,
etc.
No entanto, a
geração de hoje não pode resignar-se a um conhecer o mundo de
"segunda mão", não pode julgar-se dispensada de pensar naquilo que
já pensaram e definiram como certo e inequivocado, sem possibilidade
de erro. Estamos vivendo uma época bastante valorizada pelo que se
chama "MODERNIDADE ou PÓS-MODERNIDADE. Mas o que é modernidade? É o
que veremos a seguir.
O que é
Modernidade e Pós-Modernidade
A fim de
entendermos melhor o conceito de modernidade vamos partir de um
pressuposto: "Uma mudança começa na Filosofia, reflete-se nas artes
e chega ao homem comum , na forma de cultura popular. " (Francis
Schaeffer)
Essa escada de
disseminação de Idéias sugere que:
1. Existe uma
interpretação e definição intelectual.
2. A idéia se propaga
por um meio, inclusive artístico e de entretenimento.
3.
Assume sua forma final de assimilação no comportamento do povo.
Seria certo
então, dizer que modernidade e pós-modernidade se equivalem ao
modernismo e pós-modernismo, que são naturalmente a designação
histórica para o movimento filosófico e das artes nos últimos 200
anos. No entanto, na nossa concepção devemos ressaltar dois itens de
importância sobre a modernidade:
· Primeiro: A
Modernidade não é um período estático da história. No nosso ponto de
vista a modernidade provém da tecnologia, está associada mais a
revolução industrial que a rejeição dos padrões clássicos do
movimento artístico-filosófico.
· Segundo: Modernidade tem
conotação de contemporâneidade, de atualidade. Moderno é logo, algo
que de certa forma reflete a última moda, a última invenção, a
ideologia do momento.
Sem sombra de
dúvidas este "é o melhor dos tempos e o pior dos tempos", ou seja
estamos vivendo um período de contradição. Estamos vivendo o melhor
dos tempos no sentido de que encontramos um ambiente propício a
manifestação e desenvolvimento das nossas instituições, e no pior
deles, estas instituições se encontram ameaçadas por muitos perigos.
Em toda a
história do Cristianismo ele sempre soube como combater e enfrentar
seus inimigos, mas como fazê-lo agora, quando a ameaça é trazida não
necessariamente por um inimigo? Pelo menos não no sentido que os
outros se demonstraram no decorrer da história.
O que estamos
vendo hoje é um aliado que oferece recursos até certo ponto
imprescindíveis ao crescimento do evangelho do que necessariamente
uma ameaça. Mas é aí que mora o perigo, por se mostrar um aliado
inofensivo, aceito e admirado por todos, tira da igreja a capacidade
de perceber o que acontece a sua volta. E, sem que ela perceba vai
devagar minando a sua identidade.
O que os
imperadores com sua militaria, os hereges com suas falsas doutrinas
não conseguiram em quase dois mil anos de história, a modernidade
esta conseguindo sem grandes esforços. Vale a pena lembrarmos as
palavras do Senhor à igreja de Laodicéia: "Dizes estou rico e
abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és
infeliz, sim, miserável, pobre , cego e nu."(Ap 3.17). Precisamos
ter cuidado, a modernidade cega, empobrece e descaracteriza a
Igreja.
Este tema é
desafiante, ou esta geração de Cristãos o enfrenta com vigor, ou nós
seremos fadados a ver o Senhor levantar uma outra que o faça.... se
ainda houver tempo. Surge então a indagação: Como ser Cristão na
virada do Séc. XX ? Afinal, o que é ser Cristão, e o que é o
Cristianismo? Vamos meditar sobre isso no próximo estudo,
confira....
PARTE
2
CRISTIANISMO: SOMENTE UM FATO HISTÓRICO?
Estamos em
pleno final do Séc. XX, a humanidade se prepara para entrar em um
novo milênio. Diz-se, nos círculos esotéricos que pregam "uma nova
ordem mundial ", que a era do Cristianismo se findou. Para eles, o
Cristianismo, é um fato histórico relevante que tende paulatinamente
a fazer parte do passado.
Em parte eles
estão certos, temos que concordar, o Cristianismo é um fato
histórico de envergadura, que marcou definitivamente a história da
humanidade. Assim como a era egípcia, a era grega e a era romana
foram fixadas na história, assim também acontece com o Cristianismo.
Realmente,
Cristo continua a ser o marco que divide o tempo. Sem possibilidade
de retorno, a história humana se divide em dois períodos decisivos:
Antes de Cristo (a.C.) ,depois de Cristo (d.C.). No entanto reduzir
o Cristianismo a um período histórico é um erro de conotações
tremendas.
A bem da
verdade a humanidade nunca viveu sem Cristo. Viveu sim uma época
onde se esperava que Ele viesse, uma era de esperanças , da qual dão
um comovente e esplêndido testemunho os profetas do Antigo
Testamento. Enfim surge então o instante da fidelidade profética.
Passou-se da esperança, do aguardo, do anseio à realidade da
existência: Cristo, o Verbo encarnado.
Se quisermos
ser vitoriosos, precisamos ter este compromisso com o profético.
Vejamos três elementos indispensáveis destas profecias:
1. "O que
foi". Compromisso com o passado, com os Oráculos de Deus. Toda
profecia mantém um pé no passado como referencial bíblico e
histórico da vocação da Igreja. 2. "O que és". Analisar o
presente a partir do passado, dos Oráculos de Deus e da sua Palavra.
Não podemos avaliar e discernir a modernidade e sua influência sobre
o Cristianismo a partir dela e por ela.
3. "O que vês". A
profecia aponta para o desenrolar dos fatos da modernidade sobre a
Igreja e a sua missão. Portanto, o desenrolar do Cristianismo em
nosso século, como em qualquer outro.
Visto assim,
pela Palavra, temos por certo que o Cristianismo não é somente um
movimento que tende a se extinguir, mas sim uma intenção de Deus com
propósitos decisivos para a humanidade. No entanto, a modernidade
trouxe ainda outras características que queremos desmistificar.
PARTE
3
CRISTIANISMO: O QUE ELE NÃO É.
Antes de
refletirmos sobre a verdadeira realidade do Cristianismo, vamos
analisar algumas das interpretações modernas sobre este movimento
que mudou, mantém e vai definir de uma vez por todas a sorte da
humanidade. Vejamos o que ele não é.
1. O
Cristianismo não é uma estrutura política: Sim, o Cristianismo não é
uma mera formação política aos moldes de outros partidos, sejam eles
quais forem. Ao ser indagado pela natureza políticas dos seus atos
Jesus respondeu: .."o meu Reino não é deste mundo." ( Jo 18.36).
2. Cristianismo não é um mero preceito moral: Não
preocupa-se tanto com a forma , quanto com o ser. Seu preceito não
consiste apenas no aspecto formal, mas sim a uma existência levada a
santificação. Segui a Paz com todos e a Santificação sem a qual
ninguém vera a Deus"( Heb 12.14). Cristianismo é um decreto de
excelência moral.
3. Cristianismo não é uma mera forma de
Filosofia existencialista: Exato, a natureza do Cristianismo embora
envolva a natureza do ser, não se restringe a simplificar e avaliar
a existência somente pelo conceito filosófico. A esse respeito,
deixemos a própria Palavra ecoar:
A minha palavra, e a minha
pregação , não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria
humana, mas em demonstração do Espírito e de poder. (I Cor 2.4).
As minhas palavras são Espírito e vida. ( Jo 6.63).
"..Não me envergonho do Evangelho de Cristo por que é o
Poder de Deus para salvação daquele que crê: primeiro do judeu e
também do grego." ( Rm 1.16). O Cristianismo derruba qualquer rótulo
que obstaculiza o relacionamento: "do Judeu e do grego"
4. O
Cristianismo não é uma mera instituição com fim puramente social:
Sem sombra de Dúvida Cristo teve seu ministério voltado as pessoas
pobres, nota-se isto quando refere-se ao âmbito da sua missão lendo
o livro do profeta Isaías :"......para evangelizar os pobres.." ( Lc
4.18). Também afirmou porém: "Os pobres sempre os tendo convosco" (
Mc 14.3-7)
Se todas estas
coisas isoladas e comprometidas consigo mesmas não são o
Cristianismo autêntico, logo o que é? Sem respostas evasivas
queremos meditar em algumas questões que esclarecem a partir daquilo
que já identificamos o não ser.
PARTE
4 O QUE O CRISTIANISMO É
O cristianismo
pode ser descrito como a revelação de um caminho a percorrer,
apontado por Cristo, de que Deus é o princípio e o fim de todas as
coisas. Logo, vejamos o que ele é de fato:
1.
Cristianismo é uma fé:
Já que não é
possível compará-lo a qualquer doutrina filosófica a qual se adere
por um ato simples de inteligência, visto que, a adesão neste caso,
passaria apenas ao nível das idéias.
No
Cristianismo a minha adesão se aplica a minha fé na pessoa bendita
de Jesus chamado o Cristo, reconhecendo-o como o verbo encarnado e
redentor do gênero humano.
Jesus Cristo
"... subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus
coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo,
tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e,
achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se
obediente até a morte, e morte de cruz. ( Fl 2.6,7)
Este é o
mistério do Verbo Encarnado, que não se chega a não ser por fé, ora
em Cristo o mistério do homem e o mistério de Deus se fundem: eis o
suficiente para lançar a curta inteligência humana na mais completa
confusão.
2.
Cristianismo é uma Vida:
Em outras
palavras: É uma dinâmica que leva a um existir de visão universal
prática. Não se move apenas por problemas particulares, mas pelo
destino de um grupo, de uma cidade, de uma nação e até do MUNDO. "
....o Espírito do Senhor esta sobre mim para..." ( Lc 4.18)
3.
Cristianismo é uma encarnação:
Esta é a
grande diferença do Cristianismo em relação as outras mensagens
religiosas, é que este apresenta como centro do mistério de Deus, um
Deus que habita em nós, naqueles que como já dissemos possuem fé:
"Cristo em mim". "...que é Cristo em vós, a esperança da glória..."
(Col 1.27)
Antes de um
Deus por nós e para nós, um Deus em nós.
4.
Cristianismo é uma solução definitiva para os problemas da
humanidade:
Cristo veio
para sempre , para sempre o Evangelho foi pregado, a sua Palavra
jamais se extinguirá. Neste contexto não há nada para mudar , nada
para corrigir, nada para acrescentar, não temos que adaptá-lo a moda
do dia.
"Pai está
consumado, nas tuas mãos entrego meu Espírito." ( Jo 19.28,29,30)
"..e o que
vive, fui morto , mas vivo para todo o sempre..." ( Ap 1.18)
5.
Cristianismo é um estado de inconformismo:
Jamais podemos
permitir que a "religiosidade" nos congele, nos engesse em um
conformismo com relação ao cotidiano, como se estivéssemos
empurrados por uma multidão, sem fazer esforço algum, sem refletir,
sem pensar.
"E não vos
conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa
mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita
vontade de Deus." ( Rm 1.2)
Não precisamos
necessariamente sonhar com feitos extraordinários, basta que sejamos
lúcidos a respeito das possibilidades que a vida oferece, jamais
devemos nos contentar no ponto onde estamos, mas progredir em saber
e fazer a vontade de Deus.
Cristianismo,
pois, é isso, uma moral por excelência, uma busca a santidade e uma
existência que se preocupa em viver em Deus, mover-se em Deus e
existir em Deus, regidos segundo a sua absoluta e perfeita vontade.
Longe de
querermos esgotar o assunto pela grandeza dos elementos que o
envolvem, podemos acertadamente dizer que ainda que nós tenhamos a
ciência desses fatos, vivemos em uma cultura moderna, o molde com
que fomos moldados é este, e assim só podemos reconhecer, rejeitar e
mudar por meio da perspectiva exterior de Deus, isto é , ver as
coisas como Deus as vê. A dificuldade de discernir o mundo moderno
se encontra nisto: Nós somos modernos.
PARTE
5 A CRISE DE IDENTIDADE.
É fácil
observar que o mundo está totalmente comprometido como que podemos
chamar biblicamente de "este século."
Através da
secularização, este mundo tenta e facilmente consegue ( se não nos
posicionarmos), separar o cristão de Deus e seu propósito. O mundo e
seu sistema é sutil. O apóstolo Paulo confiantemente declarou sua
firmeza na luta contra o mundo ao perguntar: "Quem nos separará do
amor de Cristo? " ( Rm 8.35) . Mas, espere aí:
Quem somos
nós? Quem sou eu? A quem Paulo esta se referindo. Mais vivo do que
nunca, o dilema da existência humana está aí: "Quem sou? Porque
estou aqui ? "
Se não
colocássemos essas indagações debaixo do escrutínio da Palavra de
Deus, jamais teríamos resposta alguma. Parece uma pergunta simples e
que de certa forma, merece uma resposta simples, mas não é.
Sem a
existência de Deus nada faria sentido, o ser humano é identificado
não pelo que aparenta e faz, mas sim pelo que representa para Deus.
Ao criar o ser
humano, Deus criou um ser que se relaciona. O homem é um ser
relacional. No entanto, essa é a grande crise neste final de século.
Em meio aos avanços da técno-ciência, o homem se vê mais solitário e
distante, inclusive de Deus.
O que somos
esta intimamente ligado ao modo como nos relacionamos.
1. Como me
relaciono com Deus (1 Jo 4.8): Conhecer a Deus é também conhecer a
nós mesmos. Sua luz e verdade revelam não somente seu caráter de
amor, mas também toda a nossa realidade mais íntima e secreta. Logo,
quanto mais me aproximo de Deus, mais me aproximo de mim mesmo. Eis
o grande segredo, o que sou, esta diretamente ligado ao modo como me
relaciono com Deus. Quem eu sou? "Sou de Deus". Eis o fim de
qualquer crise de identidade.
2. Como me
relaciono com o mundo ( Mt 5.13-16):
Não há
comentário que poderia ser mais prejudicial para um cristão do que
as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!"
O propósito
histórico de Deus em se relacionar com o homem é chamar um povo para
si mesmo, santo, separado do mundo , para lhe pertencer e ser fiel a
sua identidade, em todo o seu pensamento e comportamento. Ou seja:
· Ser o sal que da sabor e conserva. · Ser a luz que
ilumina. · De um lado está a "terra"; do outro, "vós" que sois o
sal da terra. De um lado está o "mundo"; de outro "vós" que sois a
luz do mundo. A Igreja e o mundo são duas comunidades que estão
relacionadas uma com a outra, mas esta relação "depende "da sua
diferença.
3. Como me
relaciono com o próximo. (Jo 13.35): A cobrança bíblica do amor
recai sobre os crentes de hoje, mais do que nos tempos passados. Se
o amor é o que identifica o verdadeiro cristão, a minha identidade
se esconde nisso: que eu ame. Sim, que eu ame, ame a Deus, mas ame
também ao próximo. No cristianismo, tudo começa no amor, se sustenta
no amor e culmina no amor ( Jo 3.16).
4. Como me relaciono
comigo mesmo:
Na nossa
atuação como cristãos não podemos depender de desejos e sentimentos.
Um dia eles estão lá em cima, outro lá em baixo.
Somos
exortados continuamente ao domínio próprio. Essa premissa é básica e
fundamental, só há possibilidade de "sermos" quando de fato
entendemos a natureza dos nossos atos.
Essa questão
esta longe de ser resolvida sem considerarmos outra indagação
igualmente importante: Porque estou aqui?
PARTE
6 A CRISE DE PRIORIDADE.
Há no ser
humano um anseio natural pelo suprimento de suas necessidades
básicas. Ser amado, ter segurança e ter certeza constituem-se
elementos de busca constante para o ser humano. Na tentativa de
suprir-se, no entanto, o ser humano falha quanto às sua prioridades.
Em lugar algum
na Bíblia temos a promessa de que a pessoa que vive segundo os
princípios do Cristianismo tem uma vida imune a lutas e
dificuldades.
Pelo
contrário, enquanto estivermos vivendo aqui, neste mundo, estaremos
sujeitos a sucumbir as suas investidas. Sem as prioridades do Reino,
não há possibilidade de Vitória. Um escritor secular chamado Oscar
Wilde, disse certa vez: "No mundo só há duas tragédias – uma é não
se conseguir o que se quer, a outra é conseguir."
Ao observarmos
ao nosso redor nos percebemos incluídos em um sistema cultural. Como
, pois, o cristão deve priorizar o seu relacionamento com a cultura
ao seu redor?
1. Mas, o que
necessariamente é uma cultura? Vejamos:
Cultura é o
ambiente secundário que a humanidade impõe a ordem natural (o mundo
Físico). A cultura é composta de língua, hábitos, idéias, fé,
costumes, organização social, invenções, processos tecnológicos e
valores.
A suposta
condição de independência de Deus, gerada em grande parte pela
modernidade, propõe alguns conceitos de prioridades com relação ao
mundo, que devemos considerar:
2. Prioridades
com relação ao mundo:
O mundo se
mostra naturalmente como um tesouro que se vale a pena conquistar e
possuir. A modernidade intensifica isto.
Não há dúvida
que o cristianismo está contaminado pelos valores do mundo, seu
poder político e suas riquezas. Em sua oposição ao cristianismo, o
mundo ganha outro título, "secularismo". Foram os valores seculares
que fizeram com que Tiago e João perdessem o foco do que
verdadeiramente consistia o reino de Deus. ( Mc 10.35-45)
3. Os modelos
que o mundo oferece são os que se deve alcançar: A base do
raciocínio moderno esta caracterizado pelo que os outros possam
pensar. O consumismo desenfreado e a ganância são fatores
preponderantes.
Pior ainda, o
mundo moderno não permite que se aceite aquilo que não passa pelo
crivo da ciência, da sua praticidade e de sua relevância.
O mundanismo
do qual os cristãos devem fugir pode ter a aparência religiosa ou
secular.
4. Quais são,
então, as nossas prioridades?
a) Somos
chamados a ser diferentes da cultura popular: Jesus nos incita a
renunciarmos o sistema de valores do mundo. Os Cristãos devem ficar
livres destas ansiedades materiais ego-centralizadas ( Mt 6.25).
b) Somos chamados a nos dedicarmos à expansão do Reino de
Deus e sua Justiça. Deus deve estar acima de tudo o que possamos
querer ou ganhar. É o mesmo que dizer que a nossa ambição suprema
deve ser a Glória de Deus e não a nossa própria glória, nem mesmo
nosso próprio bem estar material. É uma questão do que buscamos em
primeiro Lugar. ( Mt 6.19,20)
Com certeza
todos já ouvimos muito sobre isso, mas porque então tudo continua
como sempre. Ora, a Palavra de Deus não deveria nos conscientizar e
feito isto, mudarmos nós, as nossas atitudes. Deveríamos sim, mas
nem sempre o fazemos. Existe ainda uma outra crise em que vivemos na
modernidade.
PARTE
7 A CRISE DE INTEGRIDADE
A modernidade
tem um poder indutor tremendo, parece que nunca um conceito como o
de Maquiavel fez tanto sentido: "Os fins justificam os meios."
O Senhor não
procura por obras e sim por corações. Se ele tem os nossos corações
certamente não faltarão as boas obras. Há duas maneiras desta crise
de integridade se manifestar, uma positiva e uma negativa.
1. Crise de
integridade "negativa": Ela se caracteriza exatamente pela falta de
sinceridade. Qualquer meio é válido para se chegar a um determinado
fim, é o vale-tudo evangélico. Nos esquecemos que não basta chamá-lo
"Senhor, Senhor" é necessário que "façamos a vontade do Pai que está
no céu."
1. Crise de
Integridade "positiva.":
Pode haver
algum tipo de crise positiva? Ainda mais uma com características tão
deletérias quanto a de Integridade. Na verdade quando usamos este
termo, estamos nos referindo ao sentimento de que é comum entre os
Cristãos modernos.
Um sentimento
de fraqueza e inaptidão, o peso do pecado parece ser maior que as
nossas forças. Nós nos pomos à prova e literalmente reprovamos, nos
vemos como maus, como impossibilitados de realizar a obra.
Mas se estamos
nos reconhecendo, nisso ela é positiva, no sentido de que a nossa
consciência ainda dói, o nosso coração ainda sofre com o pecado,
então nós nos preocupamos com a fidelidade. Se nos preocupamos é
porque almejamos alcançá-la.
No entanto,
para que ela se torne efetivamente positiva, deve nos conduzir ao
arrependimento. Sem arrependimento não há concerto, sem concerto não
há fidelidade, sem fidelidade não há chance. Deste compromisso
depende o nosso destino eterno.
A finalizar
essa meditação, ouso dizer: Só há verdadeira possibilidade de
vencermos as vagas das ondas da modernidade, se atentarmos para a
Palavra e seu teor profético, se nos entregarmos incondicionalmente
a Deus e se confessarmos uns aos outros nossos pecados.
Assim haverá
cura, assim haverá libertação, assim haverá perdão e acima de tudo,
nosso Deus será glorificado. Amém!
Obras
consultadas: - ICABODE - Da mente de Cristo a Consciência
Moderna - Rubem Martins Amorese - Editora Ultimato
-Metodologia
Científica João Álvaro Ruiz - Editora Atlas
-Psicoterapia
centrada na Bíblia Remo Cardoso Machado - JUERP
-Moral
Conjugal do Séc. XX Paul-Eugène Charbonneu - CODIL
-O Mundo a
Carne e o Diabo Russel Shedd - Editora Vida Nova
-
Ultrapassando barreiras Ricardo Barbosa, et alli - Mundo
Cristão

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