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PORQUE
NÃO SOMOS
PROTESTANTES
A
reforma protestante do século 16 foi uma benção mista, metade doce,
e metade salgada. Os Batistas comemoram muitas das verdades
associadas à reforma, tais como, a soberania de Deus em todas as
coisas, a justificação somente pela fé, e das exaltadas opiniões à
respeito do louvor à Deus. Nós fomos beneficiados por muitos livros
feitos pelos escritores Protestantes. Por outro lado, alguns
aspectos da Reforma tem sido, sempre, um espinho no caminho dos
Batistas. Alguns destes temas se destacam tanto, que não podemos
sacrificá-los no altar da unidade, com o único objetivo de cooperar
com os Protestantes hoje.
É claro que estes inegociáveis temas merecem um
tratamento mais extensivo do que podemos dar aqui. Simplesmente
tentaremos considerar, brevemente, seis diferentes áreas, as quais
distinguem os Batistas dos Protestantes. Não desejamos menosprezar
quaisquer Protestantes, fazendo-lhes uma infeliz caricatura, em
geral. Nem nos atreveremos a implicar que todos os Protestantes
estão perdidos – tampouco poderíamos nos atrever em dizer, que todos
os Batistas estão salvos!
1. Nossa opinião sobre as Escrituras. Enquanto
muitos reivindicam em crer na Bíblia como o único manual de fé e
ordem, a ênfase Protestante em credos tendem, acima de tudo, em
fazer com que esta posição seja enfraquecida. B.B. Warfield chamou a
Confissão da Fé de Westminster (daqui em diante CFW)... de: "a
cristalização final dos elementos da religião evangélica". Batistas
crêem que tal linguagem, deveria apenas ser usada para descrever a
Bíblia isoladamente. Uma vez que os Batistas usam confissões de fé
como um sumário da verdade bíblica, nós nunca consideramos nada além
das Escrituras para ser nosso padrão. Quando em debate, nós
preferiríamos dizer: A palavra de Deus diz, do que dizer: Minha
confissão diz... Nós não temos um credo senão as Escrituras.
A CWF contém, por si só, abastadas palavras em
seu primeiro capítulo, que vão muito além que podemos aceitar, bem
como:
"O pleno conselho de Deus, em relação às coisas
necessárias para Sua própria glória, salvação do homem, fé e vida,
são tão expressamente ditas nas Escrituras, ou até mesmo, por boa e
necessária conseqüência, deveriam ser deduzidas à partir das
Escrituras."
Esta dedução à partir das Escrituras, abriu as
portas à superposição do sistema aliancista sobre as Escrituras.
Então são as Escrituras interpretadas pela aliança, ao invés da
aliança ser interpretada pelas Escrituras.
2. Nossa opinião sobre as alianças. O
Protestantismo admite uma aliança, com várias administrações. Os
Batistas vêem alianças distintas. Como em Gálatas. 4:24-26 diz,
"porque estas são as duas alianças" Nós vemos algo de novo na nova
aliança (ou Novo Testamento). "O qual nos fez também capazes de ser
ministros de um novo testamento; não da letra, mas do espírito:
porque a letra mata e o espírito vivifica" (II Cor 3:6). "E, por
esta causa, Ele é o mediador do Novo Testamento que, por meio da
morte para a redenção das transgressões que estavam sob o Primeiro
Testamento, os chamados deveriam receber a promessa da herança
eterna" (Hebreus 9:15).
Embora acreditemos que os santos do Velho
Testamento foram salvos pela pura graça de Deus, sem obra alguma,
nós não equacionamos a velha economia (uma economia nacional, étnica
e sócio-política-religiosa) com a nova (uma economia espiritual, sem
distinções sociais ou nacionalistas, e sem propósitos políticos).
Enquanto nós vemos uma continuidade entre a velha e a nova aliança,
nós não vemos uma identidade. Há diferenças significantes entre o
Velho e o Novo Testamento, embora os propósitos da graça de Deus
operem em cada uma deles.
Portanto, nós vemos o Novo Testamento como a
palavra final do Velho Testamento, e não vice versa. Ao contrário
dos dispensacionalistas e aliancistas, nós nos sustentamos no Novo
Testamento, e interpretamos o velho na luz do novo.
3. Nossa opinião sobre a igreja. O
Protestantismo trouxe, através de suas raízes no Catolicismo Romano,
a mentalidade da sacralização. Se alguém for membro de uma
sociedade, ele deve, portanto, ser também um membro da "igreja". À
medida que uma linha de distinção entre a igreja e o estado perdeu a
nitidez, surgiu o batismo infantil. Estas "igrejas" chegaram a ser
intencionalmente compostas de tanto regeneradas quanto não
regeneradas. Esforços foram feitos para justificar este erro, com
base no ritual da circuncisão do Velho Testamento.
Os Batistas tomam a posição Neo Testamentária
de terem somente membros regenerados. Não há um simples caso sequer,
dentre os demais no Novo Testamento, de batismo infantil, nem de um
batismo de alguém conhecido por ser um ateu. Nós somos gratos por
alguns Protestantes admitirem isto. Aqueles que reclamam o
contrário, deveriam o fazer em silêncio.
Nós vemos a missão da igreja como primariamente
espiritual, não social ou política. Nós estamos mais interessados em
proclamar a graça da salvação, do que em promover a graça comum. Nós
somos meramente estrangeiros passageiros, cidadãos de um reino
celestial. Nossa mensagem nunca foi ‘Salve esta geração’, e sim,
‘Salvai-vos desta geração perversa’ (veja Atos 2:40).
Ademais, crendo que cada igreja seja autônoma,
rejeitamos todas as formas de hierarquia na igreja. Nas coisas
espirituais, não há suprema corte nesta Terra que seja maior que a
assembléia local. Os principais temas das igrejas do Novo
Testamento, foram decididos pelos votos dos membros, não por um
concilio ou reunião de anciões, presbiterianos, diocesanos, bispos
ou arcebispos.
Nós rejeitamos o conceito Protestante de uma
igreja universal invisível, e o ecumenismo que naturalmente jorra de
tal conceito. Deus certamente conhece todos que a Ele pertencem, e
eternamente os vê como um só por Cristo, mas em nossa experiência,
nós não seremos uma assembléia ou igreja alguma, até que todos os
eleitos de Deus se ajuntem no glorioso céu. Embora cada Cristão
esteja na família de Deus e em Seu Reino, a igreja do Novo
Testamento é uma assembléia local, e visível.
4. Nossa opinião sobre as ordenações. O batismo
e a Ceia do Senhor são ordenanças cristãs e simbólicas dadas às Suas
igrejas, não à indivíduos, famílias, nem à sociedade em geral. O
batismo é apenas para os que crêem; A Ceia do Senhor é apenas para
os Cristãos já batizados. Uma vez que nós não reconheçamos o batismo
infantil pela aspersão de água, como um batismo de acordo com as
Escrituras, nós obviamente "recusamos da mesa" aqueles que não foram
imergidos como crentes. Desde que sejamos responsáveis pelo batismo
de um membro nosso, e desde que nós não possamos convidar à mesa
aqueles, sobre os quais, não temos a autoridade de disciplinar,
também restringimos a mesa apenas aos membros da nossa assembléia
local.
Estas ordenanças são simbólicas e não têm
eficácia para salvar, nem para trazer graça. Entretanto, A CFW
estabelece que, "Há em todos os sacramentos uma relação espiritual,
ou uma união sacra, entre o sinal e a coisa significada; pela qual
vem a ser verdadeira, que os nomes e os efeitos de um são atribuídos
aos outros". Em seu comentário na CWF, A. A. Hodge estabelece:
"através do uso correto do símbolo, a graça significada é realmente
demonstrada" (p. 329). Novamente, Hodge estabelece: "os sacramentos
foram designados para ‘aplicar’, ou seja – comunicar – aos crentes
os benefícios da nova aliança" (p. 331). Comentando sobre o batismo,
o CWF diz, "pelo correto uso desta ordenança, a graça prometida não
é apenas oferecida, mas realmente exibida e conferida pelo Espírito
Santo" Para os Batistas, esta linguagem soa alarmante parecida à
regeneração batismal.
5. Nossa opinião sobre a conversão. Na luz do
que foi dito acima, nós podemos inequivocamente estabelecer que, nós
acreditamos que a salvação é uma operação direta do Espírito Santo
de Deus. Nenhuma graça de salvação é conferida pelos laços da
família, ou através de privilégios nacionais. Os filhos dos Cristãos
são tão depravados e perdidos, quanto aos filhos dos que não crêem.
A promessa em Atos 2:39 que diz, "Por que a promessa vos diz
respeito a vós, a vossos filhos" e o versículo não termina ai! O
versículo continua e diz: "e a todos que estão longe, a tantos
quantos Deus nosso Senhor chamar."
Deus salva pecadores individualmente, e não
famílias coletivamente. O "batismo" infantil e o conceito da aliança
com a criança, obscurecem a verdade sobre a regeneração e conversão.
6. Nossa opinião sobre a história da Igreja.
Pode se tornar uma surpresa aos Protestantes e Católicos Romanos
contemporâneos saberem que, os Batistas não originaram na reforma.
Os historiadores mais antigos, até mesmo aqueles opostos aos
princípios Batistas, admitem isto; os escritores modernos tendem a
ignorar, desconsiderar ou negar isto. Há abundantes evidências para
afirmar que as igrejas evangélicas, firmes nas essências da fé,
conhecidas por vários nomes, existiram na Europa desde os dias dos
Apóstolos até a idade média. A Confissão de Valdenses de 1120, é um
exemplo de crença fundamental e evangélica durante aquela época.
Estes Anabatistas, como eles foram ironicamente
chamados pelos seus inimigos, foram duramente perseguidos pelo
pseudo Cristianismo oficial, qual apostatou com Constantino. Estas
pessoas valentes foram nossos antecessores na fé. (É claro que não
nos identificamos com algumas seitas realmente hereges que foram
erroneamente classificadas junto com estes Anabatistas). Muitos se
esqueceram que parte da teologia de Calvino foi moldada por um primo
Anabatista. Calvino reconheceu que ele [Calvino] também "em um tempo
foi um Valdense" (Leonard Verduin, A Anatomia de um Híbrido, p.
199.)
Quando a reforma chegou, estes Anabatistas, em
primeira instancia, deram um suspiro de alivio, mas logo descobriram
que os Protestantes podiam perseguí-los tão severamente, recorrendo
ao mesmo modelo da igreja/estado, que Roma brutalmente impôs durante
séculos. É um fato esquecido da história norte-americana que a
primeira emenda da sua Constituição, garantindo a completa liberdade
religiosa, chegou a ir contra aos desejos de muitos colonos
Protestantes. Os batistas da Virgínia, especialmente John Leland,
foram responsáveis por esta emenda constitucional.
C.H. Spurgeon resumiu bem nossa posição:
"Acreditamos que os Batistas são os Cristãos
originais. Nossa existência não iniciou-se com a reforma, nós fomos
reformistas antes de Luther ou Calvin nascerem; nós nunca viemos da
Igreja de Roma, pois nela nunca estivemos, mas nós temos uma ligação
ininterrupta aos próprios apóstolos. Nós sempre existimos desde os
dias de Cristo, e nossos princípios, algumas vezes são ignorados ou
esquecidos, como um rio que tem que percorrer sob o chão por uma
curto período, têm tido sempre seguidores honestos e piedosos"
(Metropolitan Tabernacle Pulpit, 1861, p.225.)
"[N]ós, conhecidos entre os homens, por todas
as idades, por vários nomes, como Donatistas, Novacianos,
Paulicianos, Petrobrussianos, Cátaros, Arnoldistas, Hussites,
Valdenses, Lollardos e Anabatistas, temos lutado para a pureza da
Igreja e sua distinção, e pela sua separação do governo humano.
Nossos pais foram homens acostumados com as dificuldades, e não eram
preguiçosos. Eles apresentam a nós, seus filhos, uma linha
ininterrupta proveniente legitimamente dos apóstolos, não através da
sujeira de Roma" (ibid., p. 613.)
Vinte anos depois, Mr. Spurgeon reiterou,
"Muito antes seus Protestantes serem conhecidos
como tal, os horríveis Anabatistas, como foram injustamente
chamados, eles estiveram protestando para "um só Senhor, uma só fé,
e um só batismo." Na mesma hora que a igreja visível começou a
afastar-se do verdadeiro Evangelho, estes homens surgiram para
permanecerem fieis à verdade dos séculos. ...Às vezes, um
historiador mal intencionado procura nos dar a idéia de que eles
tivessem morrido, bem como o lobo tivesse feito seu trabalho na
ovelha. Mas, eis somos nós, abençoados e multiplicados"
(Metropolitan Tabernacle Pulpit, 1881, p. 249.)
Como conclusão, deixai que seja dito que nós
somos gratos a Deus, o qual tem nos mostrando estas coisas. Nós
retrucamos qualquer irmão Batista que possa ser muito orgulhoso de
si, devido ao seu conhecimento destas verdades. Se Deus nos deu
estas verdades, nós devemos recebê-las com humildade.
Nós admitimos que não podemos falar em nome de
todos que se dizem Batistas nos dias de hoje. Alguns não concordam
conosco. Nós podemos apenas dizer que estes são temas aos quais
nossas consciências estão ligadas e sobre quais, não podemos nos
comprometer.
Autor: Daniel A. Chamberlin,
Pastor (covenantbcl@cs.com)
Tradução: Gustavo Stapait - 06/2001 Edição: Calvin Gene
Gardner – 06/2001 Igreja Batista de Catanduva, SP - http://www.geocities.com/wbtbrazil/estudos.html

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