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PAZ ÀS
NAÇÕES
Pronunciamento Oficial da Convenção Batista
Brasileira sobre a paz
No horizonte de uma sociedade
hodierna acentuadamente delineada por uma escalada da "Cultura da
Morte e da Guerra" e do predomínio de ações belicistas em nome da
promoção da paz num mundo dominado por inúmeras guerras, nós
Batistas Brasileiros proclamamos:
Nossas
convicções: Cremos que a paz não é meramente a harmonia entre
povos e indivíduos, mas a expressão de uma plenitude de vida que
transforma o indivíduo num sujeito construtor da história. Tal
convicção fundamenta-se, sobretudo, em shalom (hebr. = paz) que
significa "ter o suficiente", tal como bons relacionamentos
interpessoais, étnicos e culturais, mas também vida em justiça
social, tendo pão para comer, liberdade de ir e vir, liberdade
responsável de expressão, liberdade religiosa, liberdade de
escolhas... Shalom é, sobretudo, salvação! Cremos que a paz, por
um lado, é produto de desarmamento externo e interno: "De Efraim
exterminarei os carros, e de Jerusalém os cavalos, e o arco de
guerra será destruído, e ele anunciará paz às nações; e o seu
domínio se estenderá de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades
da terra" (Zacarias 9:10). Por outro lado, a paz é produto de um
relacionamento correto com Deus: "Apega-te, pois, a Deus, e tem paz,
e assim te sobrevirá o bem" (Jó 22:21). Deus promete conservar em
paz aquele que se entrega confiantemente a Sua direção e controle:
"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque
ele confia em ti" (Isaías 26:3-4). Cremos que a paz com Deus, fonte
e fundamento de todas as outras, é produto da redenção promovida por
meio do Evangelho de Jesus Cristo: "Justificados, pois, pela fé,
tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos
5:1). Cremos que a paz verdadeira não pode emergir dos escombros
da guerra, tenha ela adjetivações tais como "guerra preventiva",
"guerra santa" ou quaisquer outras. Guerra será sempre a negação e a
ausência da verdadeira paz. Cremos que nenhuma guerra pode
legitimamente ser deflagrada em nome de Deus, pois o Novo Testamento
nos ensina que Deus é o "Deus de paz" (Romanos 15:33, Romanos 16:20,
Filipenses 4:9, 1Tessalonicenses 5:23, Hebreus 13:20), portanto, a
fonte da verdadeira paz. Rejeitamos toda busca da paz mobilizada
por motivos escusos tais como o utilitarismo econômico ou interesses
mercantilistas. Rejeitamos a promoção do terrorismo e do império
da ditadura que suprime a liberdade humana tratando o indivíduo como
objeto e "escudo humano" para a perpetuação do status quo e gerando
um imaginário falso de liberdade. Rejeitamos o antigo conceito
romano do "se vis pacem para bellum" (se queres a paz, prepara-te
para a guerra) como sendo contrário à verdade e falacioso. À luz da
Bíblia Sagrada, afirmamos que "o fruto da justiça, semeia-se em paz
para aqueles que promovem a paz" (Tiago 3:18). Com Jesus Cristo
nosso Senhor e Mestre aprendemos e declaramos que "os que lançarem
mão da espada a espada morrerão" (Mateus 26:52, conf. Apocalipse
13:10b).
Nossos compromissos: Comprometemo-nos a: Orar
pela paz ainda que seja por nossos inimigos: "E procurai a paz da
cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela
ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz" (Jeremias 29:7).
Destaca-se que nesta oração em Jeremias o destinatário da oração e
da procurada paz era a cidade de Babilônia, hoje Iraque. Promover
e preservar a paz: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles
serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9). Só pode ser
legitimamente chamado de filho de Deus quem promove a paz. Viver um
estilo de vida que fomente a paz: "Se for possível, quanto depender
de vós, tende paz com todos os homens" (Romanos 12:18).
Proclamar a paz: "Quão formosos sobre os montes são os pés do
que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas
boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: o teu Deus reina!"
(Isaías 52:7). Com nossos corações infundidos pela compaixão de Deus
declaramos que Ele ama a todos os homens (João 3:16), de todas as
culturas, povos e nações e "deseja que todos os homens sejam salvos
e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1Timóteo
2:4).
Nossos desafios: Que a paz seja uma conquista de
todas as nações unidas e não seja tomada como um privilégio ou
tarefa isolada de um guardião. Que os exemplos das tragédias
provocadas pelas guerras sejam suficientes para sensibilizar e
mobilizar as nações à paz mundial. Que o espírito religioso não
sirva para mobilizar a guerra, mas para promover a paz, o respeito à
alteridade e o entendimento entre os povos. Que a verdadeira paz
de Deus corra como um ribeiro de águas fecundas a transbordar todo o
campo dominado pelo ódio e pela cultura da guerra e da morte.
Cidade do Rio de Janeiro, aos dezenove
dias do mês de março do ano da Graça de nosso Senhor Jesus Cristo de
dois mil e três.
CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA Pr. Dr.
Nilson do Amaral Fanini Presidente
Pr Sócrates Oliveira de
Souza Diretor Executivo

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